Voce ja ouviu falar em TPN?
Sex, 27 de Março de 2009 20:22
Acertar local da festa, fazer lista de convidados, chá de panela, contratar buffet, escolher convites, selecionar decorador, procurar maquiador. Essas são apenas algumas das responsabilidades das noivas durante os preparativos de um casamento. Existem tantas pessoas envolvidas no dia mais importante da vida das noivas, que a adrenalina vai a mil. A ansiedade e tensão vão aumentando ao se aproximar da tão esperada data. Resultado: Noiva arrancando os cabelos, gritando a toa, chorando esses são apenas alguns dos sintomas que demonstram a TPN - Tensão Pré Nupcial.
A TPN não fica restrita apenas as noivas, o noivo e a família acabam sendo contaminados por essa tensão. O noivo ao perceber e se sensibilizar com as reações da noiva acaba tentando ajudar e dependendo das circunstâncias acaba estressado também. A família nessa altura já está preocupada ao ver o noivo e a noiva a beira de um ataque de nervos.
"Estou tão tenso que já não tenho nem paciência para escolher mais o meu terno. Só penso em casamento 24 horas ao dia e ainda assim sou cobrado pela minha noiva como se não estivesse nem aí para o casamento. Além de correr atrás de quase todos os serviços do casamento, ainda tenho que pensar em apartamento, móveis e decoração. Como se não bastasse isso tudo, a Erica ainda diz que não dou atenção a ela." Afirma Eduardo Azeredo, de 26 anos, que ainda conta que se não amasse tanto sua noiva, Erica Soares, de 22 anos já teria desistido do casamento.
Para as noivas, talvez o maior desafio seja a escolha do vestido. Se a noiva não escolher um vestido que esteja a altura do sonho que visualizou ao se casar, não se sentirá tão realizada em seu casamento. O vestido é a apresentação que faz com que a noiva se sinta a rainha da noite, o centro das atenções, que se sinta maravilhosa. E é por este motivo que este momento gera tanta expectativa e ansiedade.
Rafaela Soares, de 27 anos, acabou de passar por essa experiência. Casada há pouco mais de dois meses, ela lembra ainda o estresse que sofreu nos meses anteriores à cerimônia. "Tive alguns problemas com os preparativos, principalmente porque nos precipitamos muito na escolha da data e demoramos para contactar as pessoas. Isso desgastou a família inteira. Várias vezes pensei que nada ia dar certo", relata. Mas, mesmo quando tudo parecia estar bem, Rafela não continha a TPN. "Eu tinha altas crises. Ficava impaciente, nervosa, sensível. A ansiedade era tanta que acabei com minhas unhas e cheguei até a ter ataques alérgicos. Na véspera do casamento, descobri que estava com anemia. Mas nada substitui a emoção do momento em que se sobe ao altar, principalmente para quem cresce pensando neste dia. Aí, tudo muda", comenta.
Segundo a psicóloga Juliana Santos, que já acompanhou de perto muitas noivas alteradas, apesar de a TPN acabar sendo "transferida" para as pessoas diretamente envolvidas no evento, é mesmo a mulher quem mais manifesta essas emoções. "Para as mulheres, a expectativa sobre este grande dia é enorme. Praticamente um ano antes se iniciam os preparativos, planeja-se para que tudo saia perfeito. Esta expectativa é desgastante, pois, além de muitos detalhes, a realização deste sonho deve ser a mais completa possível", afirma. Somado a isso, há o fato de o casal tornar-se, a partir do casamento, independente. A saída da casa dos pais e o início de diversas responsabilidades causam ansiedade e angústia para a nova família que se forma.
Juliana observa que, na maioria das vezes, enquanto o noivo se preocupa mais com a parte financeira do casamento, a noiva costuma lutar para que a realidade seja a mais próxima possível do que ela sonhou. "Se ela imaginar que, no seu casamento perfeito, as rosas devem ser brancas, vai tentar ao máximo realizar isso. Em geral, a mulher se ocupa com os detalhes e com a beleza, e o homem pensa em como pagar tudo isso. É aquela velha história de emoção versus razão", analisa a psicóloga, afirmando que, às vezes, é preciso contar com uma ajudinha extra para não deixar o estresse prejudicar o dia-a-dia da noiva ou do noivo. "Os conflitos familiares quase sempre estão presentes e o auxílio de um profissional pode ajudá-los a enfrentar a fase com mais tranqüilidade", garante.
A estilista Fabiana Rocha faz vestidos de noiva há cerca de 20 anos e está habituada a fazer o papel de "psicóloga" de suas clientes. Ela destaca que, de todos os elementos presentes no dia do casamento, é justamente o vestido o que mais preocupa as mulheres. "É um dia especial para elas e a expectativa em cima do vestido de noiva é fortíssima. É como se a cerimônia fosse um show e a noiva, a estrela principal. Fazer o vestido é uma grande responsabilidade, mais até do que comprar enxoval, apartamento, carro etc. Esses itens você pode trocar, comprar outro... Mas o vestido, não. Se a noiva não se sentir maravilhosa, será um fracasso - e sem possibilidade de substituição", avalia Fabiana. A estilista diz que a ansiedade é ainda maior porque o vestido costuma ficar pronto apenas na semana do casamento. "A noiva não consegue visualizar bem como ficará com a roupa até a hora em que veste. O êxtase ao provar o vestido é tão intenso que muitas mulheres se emocionam e choram, pois começam a se ver como noivas de fato", revela.
Fabiana recorda o caso de uma noiva que chegou a seu ateliê a três dias do casamento, pedindo para fazer um novo vestido. "A moça até desmaiou. Algumas mulheres, mesmo sendo mais velhas ou mais calmas, em momentos como este, acabam perdendo o equilíbrio. Principalmente se a família contribui com a tensão, como acontece com algumas mães que dão muitos palpites, por exemplo", frisa. A cerimonialista Débora Menezes, que trabalha no ramo há 30 anos, ressalta que, além do vestido, outros fatores estão na lista de principais agravantes da TPN: possível atraso de padrinhos, incidentes cotidianos e o famoso RSVP (Répondez S'il Vous Plaît, ou "responda, por favor") dos convites. "Sempre digo para não colocar essas letrinhas nos convites. Os noivos ficam nervosos quando não recebem resposta, achando que vai faltar muita gente, e até ligam para as pessoas, o que é indelicado. A verdade é que de 20 a 25%, em média, não comparece", enfatiza.
Quem acompanha de perto os preparativos de muitas festas tem muitas histórias inusitadas para contar. "Já vi casais brigarem, noivos telefonando para o cerimonial para lembrar os mínimos detalhes, pessoas tropeçarem no ensaio e aparecerem mancando na igreja, noiva em coma, paletó sumir na festa com as passagens de lua-de-mel no bolso...", enumera Débora - que garante que os convidados dificilmente percebem pequenas gafes. Um dos maiores "sintomas" da Tensão Pré-Nupcial é a oscilação de peso e apetite do casal. Alguns noivos, como Felipe Correa, engordam drasticamente, enquanto a tendência natural das noivas é emagrecer. "Elas ficam muito ansiosas e, por isso, não comem. Isso acontece especialmente nas últimas semanas e no próprio dia. Já vi muita gente passando mal porque não come nada o dia inteiro e, na hora da festa, bebem com a barriga vazia", diz.
Entre tantos episódios típicos, Débora Menezes lembra o casamento de uma noiva que "fugiu" aos 40 minutos de festa. "Ela estava irritada com o vestido, que, segundo ela, não estava perfeito. Ela simplesmente foi embora do salão e só voltou quase no fim da festa", conta a cerimonialista. Em Marcela Pádua também bateu o desejo de sair correndo de véu e grinalda do casório. A atitude seria ainda mais drástica, mas, felizmente, não foi posta em prática: "Assim que vi aquele monte de gente na igreja, parece que 'caiu a ficha'. Eu já estava nervosa e, naquele momento, as emoções todas vieram à tona. Senti um impulso de escapar dali, sei lá, ir parar de chorar em outro lugar. Coitado do meu marido...", diverte-se Marcela, que conseguiu se controlar e curtir o resto da noite. "Depois, claro, tudo ficou bem. Ele entendeu que eu estava muito nervosa no dia e fez tudo para me acalmar. Aí eu tive a certeza de que estava fazendo a coisa certa", relata.
Amanda Souza, de 27 anos, vai casar daqui a quatro meses e já está sentindo o peso da TPN, mas quer manter a calma e o autocontrole. "Comecei a fazer ioga para não ficar muito nervosa. É claro que tem hora que dá uma certa insegurança, pois você está se preparando para uma nova vida, e você quer que essa transição, que é tão inesquecível, seja perfeita. Mas acho que ficar pensando só na dimensão disso e no que pode dar errado não faz bem", opina Amanda, que jura que recebe a atenção necessária do noivo e que se esforça para não estressá-lo também. A psicóloga Juliana Santos reitera que os homens devem dar apoio às suas futuras esposas e tentar entender o significado especial que a data tem para elas. Da mesma forma, as famílias precisam colaborar. "Muitas pessoas, no intuito de ajudar, acabam atrapalhando com novos palpites. Às vezes os noivos pedem auxílio para a solução de problemas e não para tais opções", alerta Juliana.
Apesar disso tudo, nem tudo está perdido. Renata Barros, personal trainning da consultoria Fitnoivas, oferece quatro dicas para ficar bem zen até o altar:
Os tratamentos simples para combater a TPN
Aprender a relaxar e respirar corretamente desempenham um papel importante no alívio dos sintomas da ansiedade. A música também é muito utilizada nessas duas técnicas. Através do relaxamento e respiração podemos adquirir um bom trabalho de consciência corporal que pode levar o individuo a uma melhor percepção e conhecimento do funcionamento do seu corpo, resultando na eliminação dos efeitos causados pela tensâo. Exemplo: Yoga.
Hoje em dia o exercício físico pode ser considerado como tratamento terapêutico, já que ele é utilizado como parte ou complemento do tratamento de muitas doenças. A atividade física tem muita influencia na "proteção" dos efeitos prejudiciais do estresse na saúde. O exercício mais indicado para esse publico é o aeróbio (caminhar, pedalar, correr...) leve a moderado, progressivo, acima de 30 minutos (antes de começar qualquer exercício deve ter a liberação médica), pois podem produzir efeitos antidepressivos e ansiolíticos, pela liberação de algumas substancias naturais, como a endorfina, que previnem ou reduzem o transtorno da ansiedade. Há também a linha que defende que a pratica regular de atividade física, regula a neurotransmissão da noradrenalina e serotonina, igualmente aliviando os sintomas da ansiedade. E o mais importante de todos estes fatos ocorrerem durante o exercício, é que seus efeitos permanecem por algum tempo após o término da atividade realizada.
A alimentação está intimamente ligada à ansiedade e ao estresse, existindo alimentos que podem reduzir esses dois fatores. Para combater o estresse são indicados os seguintes alimentos: chá verde, suco de uva integral, frutas vermelhas (berries), abacate, oleaginosas (castanhas, nozes, avelã, amêndoa), peixes, vegetais folhosos escuros e soja. No combate à ansiedade, além dos alimentos citados acima, podemos contar com a ajuda de salmão, sardinha, ovo, arroz integral, feijão, lentilha, alface, espinafre, azeite extra-virgem, linhaça, aveia, maçã, laranja, maracujá, banana, leite desnatado e derivados magros, chás como camomila, capim limão, erva cidreira. Deve-se evitar nesses dois casos alimentos estimulantes como cafeína.
As horas de sono adequadas também estão ligadas ao estresse e a ansiedade, por isso procure dormir oito horas por dia. Você tendo uma alimentação equilibrada e fazendo exercícios regularmente estará melhorando diretamente a qualidade do seu sono.
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